Quando tinha nove anos, fui convidada pelo vizinho para participar
dos cultos que ele fazia com a família dele. Pedi autorização aos meus
pais e toda noite me unia àquela família para orar e ler trechos da
Bíblia. Especialmente as histórias do Gênesis me deixavam impressionada.
Comecei a mudar minhas atitudes em casa e meus pais ficaram
preocupados, achando que eu estava ficando “fanática”. Proibiram-me de
participar dos cultos e resolveram rezar o terço em casa. Para o meu
irmão e para mim, aqueles eram momentos muito desagradáveis. “Tudo bem
que a gente reze, mas não precisam ficar com essa cara de tristes”,
pedia ele. Aqueles eram momentos realmente maçantes e, com o tempo, meus
pais acabaram desistindo da idéia e tudo voltou a ser como antes. Que
pena. Perdemos uma grande chance de conhecer melhor a Deus, antes mesmo
de nos tornarmos adventistas.
O tempo passou. Cresci, me casei e tenho três filhos pequenos. Quando
me lembro dessa experiência da minha infância, fico me perguntando o
que tenho feito para tornar a religião algo agradável e relevante na
vida das minhas meninas.
Alguns pais se sentem orgulhosos e felizes por verem seus filhos prosperarem intectual e materialmente. Isso é bom, mas se o coração deles está vazio, longe de Deus e em busca apenas das honras deste mundo, é tudo vão. E quando Jesus voltar e perguntar por esses filhos? Eles são um presente emprestado. Um dia teremos que devolvê-los a Deus. Infelizmente, muitos se esquecem disso e criam filhos apenas para este mundo.
Você tem buscado a Deus a fim de ensinar seus filhos a dependerem
dEle também? Ou tem colocado outras coisas no topo de sua lista de
prioridades – novelas, filmes, esportes, propriedades? Os filhos
observam tudo e aprendem com nosso exemplo.
Braço poderoso – Se deseja a ajuda de Jesus para salvar, abençoar e
livrar seus filhos das más influências, há um braço poderoso estendido
para você. Deus é tão bom que deixou orientações claras e específicas
para que os pais ajudem os filhos: “Toda família deve construir seu
altar de oração, reconhecendo que o temor do Senhor é o princípio da
sabedoria” (Ellen G. White, Orientação da Criança, p. 517). E Ele diz
mais: “Acheguemo-nos confiadamente junto ao trono da graça, a fim de
recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião
oportuna” (Hebreus 4:16).
Assim como os patriarcas, devemos também construir no lar um altar de oração – o culto familiar. Mas como deve ser esse culto? Ellen White dá algumas dicas:
“O pai, como sacerdote da casa, deponha sobre o altar de Deus o sacrifício da manhã e da tarde” (Orientação da Criança, p. 519).
O culto não deve ser de forma insípida e com monótona repetição de
frases. Deus é desonrado quando o culto é seco e tedioso. Deve conter a
expressão de nossas necessidades e homenagem de grato amor ao Criador.
As orações devem ser curtas e ao ponto, com palavras simples. “Quando um capítulo comprido é lido e explicado e se faz uma longa oração, esse precioso culto se torna enfadonho e é um alívio quando passa” (Ibidem, p. 521).
Escolha um trecho interessante e fácil da Bíblia – e todos devem ler. Alguns versos são suficientes para dar uma lição que será praticada todo o dia.
A criança também pode ajudar a preparar o culto e escolher o que vai
ser lido. Depois deve-se perguntar a ela sobre o que foi lido e fazer
aplicações na vida diária.
O ideal é que os cultos sejam feitos antes do desjejum e à tarde,
antes de que venha o cansaço e o sono. “É o dever dos pais cristãos, de
manhã e à tarde, pela fervente oração e fé perseverante, porem um muro
em torno de seus filhos” (Serviço Cristão, p. 210).
Não se deixe levar pelas circunstâncias: mesmo quando estiver muito
atarefado ou quando houver visitas em casa, não negligencie o culto.
Assim, as crianças aprenderão a importância da religião na vida da
família.
Aproveite o poder da música. Ela é um ato de adoração como a oração, e é “um dos meios mais eficazes para impressionar o coração com as verdades espirituais. Quantas vezes, ao coração oprimido duramente e pronto a desesperar, vêm à memória algumas das palavras de Deus – as de um estribilho, há muito esquecido, de um hino da infância – e as tentações perdem o seu poder, a vida assume nova significação e novo propósito, e o ânimo e a alegria se comunicam a outras pessoas!” (Orientação da Criança, p. 523).
Tenho experimentado o poder do culto familiar em meu próprio lar.
Minha filha Giovanna, quando tinha quatro anos, “compunha” um hino todos
os dias e tinha prazer em apresentá-lo no momento do culto. Eram (e
continuam sendo) momentos especiais de união e paz. E sempre que oro por
minha família e peço a Deus forças para cumprir minha missão de mãe, me
vem à mente a promessa: “Ele não Se desviará de vossas petições,
deixando a vós e aos vossos como brinquedo de Satanás, no grande dia do
conflito final. É vossa parte trabalhar com simplicidade e fidelidade, e
Deus estabelecerá a obra de vossas mãos” (Ibidem, 526).
Quero ter meus filhos no Céu, por isso preciso apresentá-los ao Céu. É
como se nós, pais, na hora do culto familiar, convidássemos:
“Filhinho(a), venha aqui. Dê uma espiada nesse lugar. Que tal morarmos
lá?”
Abra essa “janela para o Céu” em sua casa também.
Débora Borges é pedagoga
Fonte: http://reavivamentoereforma.com/2011/09/12/janela-para-o-ceu/
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